Pauta Global

Un blog sobre Economía Política Internacional

Os desafios da cooperação global

 

É interessante a visão de José Antonio Ocampo[i] sobre a cooperação global. Para ele há três objetivos fundamentais nessa área:

  1. Gerir interdependência.
  2. Promover o desenvolvimento da sociedade.
  3. Superar a assimetria que caracteriza o mundo atual.

O primeiro passo importante nessa cooperação foi sem dúvidas o Tratado de Versailles, pelo qual se criou a ONU y a International Labour Organization (ILO). Estas organizações expandiram o dialogo internacional, objetivo primeiro da cooperação global, e lograram por primeira vez também, avançar no segundo objetivo: o desenvolvimento. Isto ficou claro com a Declaração Universal dos Direitos Humanos incorporados à economia, sociedade e direitos culturais. Já o terceiro objetivo ficou amarrado às consequências da descolonização e paradoxalmente ao nascimento dos países em vias de desenvolvimento. O autor chama isto de “pecado original”, herança das estruturas coloniais, agora em termos de vozes e assimetria econômica. Esta última facilmente reconhecível nas relações Norte-Sul.

 

A ONU fornece um fórum no qual as ideias, propostas e políticas são debatidas, mas quando se trata de sérios acordos e implementações, o debate se dirige só as instituições nas quais os países industrializados têm confiança.[ii]

Existe ainda uma crucial diferença entre o objetivo primeiro e o segundo. No primeiro, os Estados compartilham a soberania das organizações internacionais, o qual facilita em teoria a aplicação de políticas. Já no segundo objetivo, – promover o desenvolvimento das sociedades – os Estados não estão dispostos a ceder na sua soberania. Ela é indisputável. Isto representa um freio às intenções da cooperação global.

As dificuldades não param por aí. Elas estão relacionadas também à falta de mecanismos de coordenação entre as organizações e os Estados, que estejam em condições de garantir coerência. Os organismos ficam então numa posição enfraquecida, e fraca é também a responsabilidade para os compromissos internacionais.

Por isto é que é necessário fundar uma “coesão social global”.

Por outra parte, resulta evidente que as oportunidades econômicas são significativamente afetadas pela posição hierárquica mundial. Questão que acaba sendo, nas palavras de Ocampo, “um campo de jogo não nivelado”. As causas disto são três: a vulnerabilidade macroeconômica dos países em desenvolvimento aos shocks externos, a alta concentração de tecnologia e ciência nas mãos dos países desenvolvidos (cuja transferência é cara e limitada), e finalmente o contraste entre a alta mobilidade de capital e as fortes restrições no movimento internacional de mão de obra, o que é característico da globalização.

Contrariamente, na área de desenvolvimento sustentável, novos princípios parecem estar sendo alvos de debates. No Earth Summit de Rio de Janeiro de 1992, falou-se por primeira vez em “responsabilidades comuns, mas diferenciadas” para países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento. Basicamente pedia-se um campo de jogo nivelado.

Mas o autor adverte que o enorme poder dos países desenvolvidos e das grandes multinacionais, é consequência também da desorganização dos países emergentes. Este comportamento está relacionado a seus frágeis mecanismos de ações coletivas, mas também a “políticas competitivas” geradas pela própria globalização que faz com que cada país amostre aos inversores seu setor mais atrativo numa era de grande mobilidade de capitais e enormes suscetibilidades para a recolocação de produtos. Esta situação afeta então a resistência da maioria dos países a compartilhar a soberania de suas economias nas organizações internacionais, revelando-se a fragilidade mundial.

O regionalismo dos países emergentes tampouco tem tido efeitos marcantes. As coalizões não resultaram em laços fortes nem compromissos duradouros.

Por outra parte, só os governos autônomos poderão promover a democracia a níveis globais. E neste ponto, é preciso resaltar que a ordem internacional deveria respeitar fortemente a diversidade.

Os maiores desafios são a criação de instituições fortes baseadas numa densa rede regional e nacional, igualar a participação dos países emergentes na governança mundial, que tenham voz e representação; a necessidade de superar a tensão entre a inclusão e a legitimidade associada a ela (especialmente as preferências dos países desenvolvidos pelos Gs) por um lado y por outro superar as estruturas de poder. Ademais, é vital a procura de coerência que traga um sistema efetivo de vigilância e responsabilidade nos compromissos internacionais.

 

 


[i] Jose Antonio Ocampo é Ph.D. em Economia pela Universidade de Yale. É professor da School of International and Public Affairs (SIPA) e Fellow do Committee on Global Thought at Columbia University, desde julho de 2007.

[ii] Jolly, 2009, p 108; Ocampo, 2010

 

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Esta entrada fue publicada en abril 10, 2012 por en Análisis y etiquetada con .
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