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América do Sul ou América Latina?

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A construção do termo “América do Sul”, separada em alguma medida de “América Latina”, teve sua base no entendimento do lugar que as elites governantes do Brasil esperavam que o país ocupasse na região, fora da orbita dos Estados Unidos e do seu aliado: o México[1]. Somado ao fator do Brasil dispor, pelas suas características geográficas, de produção, população, e história diplomática; de condições para uma suposta liderança.

Do lado argentino, a segunda economia do subcontinente, o termo também começou a se usar cada vez com maior frequência, especialmente no tocante as relações argentino–brasileiras, em aparente esforço para delimitar o espaço de atuação de ambos os países e colocar distância das problemáticas da América Latina.

Foi assim que durante os anos 1990, o termo “América do Sul” começou a ser mais veementemente usado em âmbitos empresariais, políticos e acadêmicos. Já que o uso de América Latina para nomear a região com uma abordagem unificada, “dificultava negociações com banqueiros, oficiais do tesouro americano e lideranças do mesmo país” (Spektor, 2011, p.152), além de ter conotações de baixa credibilidade fiscal e política, inadimplência e problemas de governabilidade e desenvolvimento.

Sendo assim, o uso do termo “América do Sul” deve seu sucesso a uma “campanha de marketing voltada para criar confiança” (Spektor, 2011, p.152) que procurou no afastamento do termo “América Latina”, o espaço para que as economias do subcontinente, especialmente o Brasil, tivessem nesta região, a própria área de atuação e de barganha no sistema internacional.

A ideia de uma “América do Sul”, nada teve a ver com a suposta procura de uma governança coletiva e menos com a construção da identidade sul-americana, questões que depois foram incorporadas na medida em que as instituições da integração apareceram e que foram tendo alguma relevância nos últimos tempos.

No entendimento desta “América do Sul”, o MERCOSUL apresentou-se como a organização internacional que expressaria, por meio do aumento nas operações comercias intrabloco, o discurso integracionista, inserido em uma atmosfera de otimismo, especialmente no período 1991-1995, conhecido como o dos “anos felizes” ou a “etapa fácil” do bloco (Tussie, Labaqui y Quiliconi, 2001), pelo considerável aumento nas transações entre os dois principais parceiros: o Brasil e a Argentina.

Com o passar do tempo, outras instituições seriam parte deste processo, sendo hoje a UNASUL a maior expressão da vontade integracionista.

 

 

[1] Que pelo peso da sua economia representava na região o único país capaz de competir verdadeiramente com o Brasil, já que cada vez ficava mais claro que a Argentina, outrora rival e que agora optava pela cooperação, não representava ameaça em termos competitivos reais.

 

Referências:

SPEKTOR, Matias. O regionalismo do Brasil IN SORJ, Bernardo (Org.); FAUSTO, Sergio (Org.). Brasil e América do Sul: Olhares cruzados. Rio de Janeiro: Centro Edelstein das Pesquisas Sociais, 2011. P. 141- 172

TUSSIE, Diana; LABAQUI, Ignacio y QUILICONI, Cintia. Disputas comerciales e insuficiencias institucionales: ¿De la experiencia a la esperanza? In: CHUDNOVSKY, Daniel; FANELLI, José Maria (Org.). El desafío de integrarse para crecer. Balance y perspectivas del Mercosur en su primera década. Madrid: Siglo XXI de Argentina Editores, 2001, p. 205-224.

 

 

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Esta entrada fue publicada en octubre 30, 2014 por en Historia y etiquetada con , , , .
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