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O poder do Brasil na América do Sul no marco do estruturalismo latino-americano

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Dadas as suas características econômicas, geográficas e históricas, podemos afirmar que atualmente o Brasil é o Estado mais poderoso da América do Sul.  A antiga rivalidade com a Argentina – único país que lhe significava competição – deu passagem à atual cooperação, embora questões comerciais ainda gerem contenda.

O poder do Brasil coloca-o, portanto, como o interlocutor regional perante o sistema internacional. Desde os anos 1960, várias organizações foram criadas e/ou estimuladas pelo Brasil, representando a intenção integracionista do discurso brasileiro. Hoje, a mais destacada é a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) que Paredes (2010) chamou acertadamente de a organização regional da “integração integral” já que a mesma harmonizou diferentes projetos como a Associação Latino-americana de Integração (ALADI), a Comunidade Andina (CAN), a Aliança do Pacífico e o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL).

Neste sentido, as elites governamentais do Brasil entenderam que era conveniente como assegura Bandeira (2006) conduzir a consolidação econômica e politica do bloco para poder atuar com maior barganha em um sistema internacional competitivo e violento onde a supremacia dos Estados Unidos ameaçava ter maior ingerência na América do Sul.

Na UNASUL, como na região, o Brasil exerce seu poder embutido em um discurso igualitário, se comportando ao mesmo tempo como o paymaster[1] regional. Neste sentido, fica claro que o país defende a sua área de atuação, especialmente dos Estados Unidos, uma vez que compreendeu que não havia lugar para o Brasil como sócio privilegiado do hegemon.

Sendo assim, o Brasil, outrora periférico, ascendeu no sistema internacional à categoria de emergente e ainda mais interessante, ao patamar de liderança na América do Sul, embora Malamud (2011) o denomine “a leader without followers” pelas dificuldades na aceitação dessa liderança no resto dos países, especialmente da Argentina.

Contudo, é inegável o poder do Brasil na região. Em vista disto, é um exercício proveitoso pensar esse poder no marco do entendimento do estruturalismo clássico e da sua versão neo, o neoestruturalismo latino-americano. Aqui, os conceitos da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL); de “centro-periferia” tomam uma nova dimensão, já que analisada a estrutura econômica e politica da América do Sul, o Brasil já não entraria na categoria de país periférico e sim central. Como ele se comporta com os seus vizinhos? Responde ativamente às necessidades do bloco ou apenas discursivamente? Replicaria o Brasil o mesmo comportamento dos centrais, na região?

É interessante pensar como o Brasil exerce seu poder na América do Sul em três aspectos da teoria estruturalista, a saber: 1) o processo de integração levado adiante através de organizações regionais, estimuladas pelo país com maiores condições e recursos: no caso, o Brasil; 2) a questão econômica e 3) o avanço na ciência e tecnologia.

No primeiro ponto, podemos refletir sobre a atuação do Brasil na UNASUL, assim como nos “avanços e recuos”, como Saraiva (2012) bem aponta tem tido o MERCOSUL, mas que no conjunto ostenta saldo positivo para o processo de cooperação e em especial o posicionamento do Brasil na região e no sistema internacional.

No segundo ponto podemos discutir como o Brasil manifesta seu poder econômico na América do Sul. Como as empresas brasileiras públicas e/ou privadas investem na região, quais os ganhos, os atritos, a posição brasileira. Exemplos a se analisar são o conhecido caso da Petrobrás na Bolívia e mais recentemente a “expulsão” da Vale da Argentina. Ainda na questão econômica, é essencial pensar a indústria cultural brasileira, como o país estimula e maneja a “marca Brasil”, qual é a visão dos outros países sobre o Brasil e os brasileiros.

Finalmente, importa muito a questão nos avanços tecnológicos e científicos aplicados em energia e infraestrutura. O pré-sal da Petrobrás é uma das bandeiras mais içadas. Mas também serve a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional (IIRSA) que levada adiante pelo Brasil agora ocupa lugar central no Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (COSIPLAN) da UNASUL.

Enfim, o crescimento do Brasil traz a tona uma série de perguntas e debates. Parece-me fundamental pensar se dada a chance real de liderança, o Brasil irá se comportar como discursa.

[1] Sobre o papel do paymaster no processo de integração, veja-se (Matlli, 1999).

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Referências

BANDEIRA, Moniz Luis Alberto. O Brasil e a América do Sul. In: OLIVEIRA,Henrique Altemani; LESSA, Antonio Carlos (Org.). Relações Internacionais do Brasil: temas e agendas, São Paulo: Saraiva, 2006, p. 267-298.

MALAMUD, Andrés. A leader without followers? The growing divergence between the regional and global performance of Brazilian foreign policy. Latin American Politics and Society 53(3): 1–24, 2011.

MATLLI, Walter. The Logic of regional integration, Europe and beyond.United Kingdom: Cambridge University Press, 1999.

PAREDES, Erika Sánchez. The unión of South America Nations: at the onset of a socio-regional integration. 2010, Dissertação de Mestrado em Estudos Internacionais. Graduate Institute of International and Development Studies, Ginebra, 2010.

SARAIVA, Gomes Miriam. Encontros e desencontros. O lugar da Argentina na política externa brasileira. Belo Horizonte: Fino Traço, 2012.

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2 comentarios el “O poder do Brasil na América do Sul no marco do estruturalismo latino-americano

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Esta entrada fue publicada en marzo 14, 2015 por en Análisis y etiquetada con , , , , , , .
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