Pauta Global

Un blog sobre Economía Política Internacional

O que é o Poder e para que serve?

3455

A pergunta resulta um tanto naif, mas um rápido repasso nesse conceito pode resultar interessante.

O debate sobre o poder é prolífico e divide aguas seja no entendimento dos realistas, neorrealistas, “liberais” e “pluralistas” e outras teorias da Economia Política Internacional, mas há certo consenso acadêmico em que uma ou poucas potências devam deter o poder para garantir a estabilidade do Sistema, tal como o expõe Fiori (2004).

Ao falarmos do Sistema Internacional, entendemos quase institivamente que tal sistema se baseia na configuração do poder mundial, ou seja, na distribuição do mesmo entre todos os Estados que formam parte do sistema. Como salienta Almeida (2004) existe o consenso geral na disciplina sobre as definições de Sistema Internacional. Este pode ser entendido de maneira abrangente em três perspectivas: 1) o Sistema Imperial; 2) o Sistema cidade-Estado comercial (o autor cita como exemplos as cidades de Amsterdam, Atenas e Veneza) e; 3) o Sistema Moderno de Estados, originado através de Vestefália.

O moderno sistema de Estados ainda reproduz mecanismos de poder que outrora usara o Imperialismo – especialmente aqueles vinculados às questões de força militar -, assim como incentiva a procura do desenvolvimento nacional através de uma forte impronta comercial, herança do sistema cidade-Estado.

No atual sistema, os Estados mais poderosos são aqueles que têm a capacidade de incidir ou até mesmo modificar o cenário internacional a nível global, por meio de ações unilaterais. Sendo assim, segundo Ribeiro (1978) o poder é a capacidade de se impor aos outros através de um corpo de instituições que regula e sanciona o sistema politico, econômico, militar, e ideológico. Ainda segundo o mesmo autor “el concepto de poder se refiere a las situaciones de interdependencia económica asimétrica que configura a alguna naciones como polos de dominación y otras como áreas de expoliación” (RIBEIRO, 1978, p. 7).

Neste sentido, o estruturalismo latino-americano, desenvolvido pela Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL) da ONU, também entende que o Poder está relacionado à dominação que exerce a potência central sobre o Estado periférico, questão visível primeiro no desempenho econômico, que logo se evidencia na questão política; e que por sua vez retroalimenta a dominação econômica na construção de um circulo do qual para o periférico é muito difícil sair. Neste ponto, se desenvolveu o conceito de deterioração dos termos de intercâmbio e da perpetuação da condição agroexportadora da região vinculada ao subdesenvolvimento.

Ao que tudo indica o Poder então divide o Sistema Internacional entre os seus detentores e os que o detêm em menor ou nenhuma medida. Os primeiros são as potências, ou mais especificamente as potências centrais, e o resto – aqueles que não podem unilateralmente incidir no Sistema Internacional – corresponderiam à periferia.

Estes dois conceitos que revelam a questão do Poder, centro-periferia, foram os que inauguraram o pensamento cepalino. Contudo, Prebisch (1949) deixa claro que a condição periférica existe porque a sua estrutura é necessária para a condição de potência central e vice-versa. Ou seja, não se trata de estruturas antagônicas e sim complementarias. O mesmo pensamento desenvolve Ribeiro (1978) quem assegura que o desenvolvimento e o subdesenvolvimento são parte do mesmo processo histórico e não devem ser entendidos como etapas sequenciais de uma linha evolutiva, mas sim da mesma etapa.

Referências

ALMEIDA, Paulo Roberto de. Relações Internacionais e politica externa brasileira: história e sociologia da diplomacia brasileira. 2da ed. rev. ampl. atual. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004.

FIORI, José Luis. O poder americano. Petrópolis: Voces, 2004.

PREBISCH, Raúl. El desarrollo de la América Latina y alguno de sus principales problemas. Santiago de Chile: CEPAL, 1949, p 1-75.

RIBEIRO, Darcy. El dilema de América Latina: Estructuras de Poder y Fuerzas Insurgentes. 7ma Ed. México: Siglo Veitiuno Editores, 1978.

Anuncios

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión / Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión / Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión / Cambiar )

Google+ photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google+. Cerrar sesión / Cambiar )

Conectando a %s

Información

Esta entrada fue publicada en septiembre 1, 2015 por en Análisis y etiquetada con , , .
A %d blogueros les gusta esto: